A varanda gourmet foi a grande promessa quando comprei o apartamento. Um espaço para receber, relaxar, quase um quintal suspenso. O problema é que, na prática, ela era quase inutilizável na maior parte do tempo. Ou o sol da tarde fritava os móveis (e as pessoas), ou o vento típico de São Paulo fazia tudo voar. Eu precisava de uma solução para “fechar” o ambiente, mas sem perder a sensação de estar ao ar livre. Eu precisava de uma cortina para varanda.
Minha primeira ideia, ingênua, foi colocar uma cortina de tecido leve, para dar um ar de resort. Uma amiga que mora no mesmo prédio me deu um banho de água fria: “Miga, nem pensa. Na primeira ventania, sua cortina vai virar uma bandeira desgovernada e vai acabar se rasgando toda”. Ela estava certa. O desafio aqui era encontrar algo que fosse robusto o suficiente para aguentar sol, vento e até a garoa lateral, mas que não tivesse a aparência de um toldo de lona de caminhão.
A solução, mais uma vez, veio do universo das persianas rolô, mas em sua versão mais parruda: a tela solar com especificações para áreas externas. O tecido é uma trama de PVC e fibra de vidro, mas com um acabamento mais pesado e guias laterais de aço ou alumínio. Essas guias são o pulo do gato. A persiana corre por dentro delas, o que a impede de balançar com o vento. É como colocar o rolô em um trilho de trem, ele não sai do lugar.
O combate ao sol e a escolha da trama
O vendedor me explicou sobre a importância da cor. Tramas escuras, como preta ou cinza, oferecem mais conforto visual, ou seja, você enxerga melhor o lado de fora e o brilho diminui. Tramas claras refletem mais o calor, ajudando a manter o ambiente mais fresco. Fiquei no meio-termo, um cinza médio com 3% de fator de abertura, que me prometia o melhor dos dois mundos.
O investimento foi, preciso dizer, considerável. Era quase o preço de mobiliar um cômodo. A estrutura é mais cara, os motores (sim, decidi motorizar, já que eram peças grandes e pesadas) adicionam um custo extra. Mas pensei no ganho de área útil. Eu estava, na prática, construindo um novo cômodo. O instalador, um especialista em áreas externas, passou um dia inteiro no meu apartamento. A fixação no teto da varanda precisava ser impecável para aguentar a tensão do vento.
O único erro que cometi foi não ter pensado na limpeza dos vidros da varanda antes da instalação. Com as guias laterais fixadas, ficou mais chatinho de limpar os cantinhos do vidro. Fica a dica: faça a limpeza pesada dos vidros antes do dia da instalação da cortina.
Meu novo cômodo: a vida na varanda protegida
A transformação foi inacreditável. Com o toque de um botão no controle remoto, as persianas descem suavemente, com um zumbido baixo e tecnológico. Em segundos, minha varanda vira uma sala de estar ao ar livre. O calor diminui drasticamente. O vento pode estar uivando lá fora, mas dentro da varanda ele não incomoda mais.
A tela solar cria um efeito visual muito interessante. A cidade lá fora vira uma paisagem filtrada, uma foto em alta definição. A privacidade é total, mas a sensação de enclausuramento é zero. A gente consegue fazer um churrasco, receber amigos, ler um livro, sem se preocupar com o sol ou com os olhares dos vizinhos do prédio em frente.
Minha mãe, sempre prática, ficou impressionada. “Nossa, filha, agora sim essa varanda serve para alguma coisa! E que chique, com controle remoto!”. É exatamente isso. A cortina para varanda não foi um item de decoração, foi um projeto de funcionalidade. Ela me deu de presente o cômodo que eu mais sonhava ter, provando que, com a tecnologia certa, até o vento de São Paulo pode ser domado.