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Escalando o Everest da decoração: a saga da cortina para pé direito duplo

Eu achava que já tinha enfrentado todos os desafios possíveis no meu apartamento. Até que meu irmão se mudou para uma casa com uma sala com pé direito duplo. Uma parede de vidro de quase seis metros de altura. Era espetacular e, ao mesmo tempo, apavorante. “Me ajuda a escolher uma cortina pra cá?”, ele pediu. E eu, que nunca recuso um desafio, mergulhei na empreitada mais monumental da minha “carreira” de decoradora amadora.

A primeira coisa que a gente aprende com um pé direito duplo é que tudo é superlativo. A quantidade de tecido não é medida em metros, mas em rolos. O custo não é de uma cortina, é de um carro popular usado. E a instalação… ah, a instalação é um evento de circo.

Escolhemos um linho sintético, para ter um bom caimento sem o custo exorbitante do linho puro. A cor foi um cinza bem claro, para não pesar no ambiente. O modelo, claro, tinha que ser uma cortina wave em um trilho suíço motorizado. Porque, sejamos sinceros, ninguém vai subir em uma escada de 6 metros para fechar a cortina. A motorização, nesse caso, não é luxo, é necessidade básica.

O andaime na sala e o susto do orçamento

O dia da instalação foi uma operação de guerra. A equipe não veio com uma escada, veio com um andaime de três andares, que foi montado no meio da sala do meu irmão. A casa virou um canteiro de obras por dois dias. Ver aqueles homens trabalhando lá no alto, parafusando o trilho no teto, me deu vertigem.

O susto maior, claro, foi o orçamento. Quando meu irmão viu o valor final, incluindo os quase 60 metros de tecido, o trilho especial, o motor potente e a instalação com andaime, ele ficou branco. “Tem certeza que não dá pra colocar só uma persiana aí?”, ele brincou, nervoso. Mas nós sabíamos que aquele paredão de vidro pedia o drama e a imponência de uma cortina de tecido que fosse do teto ao chão.

Quando o andaime foi finalmente desmontado e o instalador apertou o botão do controle remoto pela primeira vez, o silêncio tomou conta da sala. Ver aquela massa de tecido deslizar suave e silenciosamente, cobrindo a parede de vidro… foi uma das coisas mais lindas e impactantes que já vi. A acústica do ambiente mudou na hora. O eco sumiu. A luz ficou suave, difusa. A sala, que era grandiosa mas fria, virou um ambiente acolhedor.

A cachoeira de tecido

A cortina para o pé direito duplo é a rainha de todas as cortinas. Ela é uma cachoeira de tecido que transforma o espaço. O som do motor é um zumbido quase imperceptível, que move a peça com uma elegância surpreendente.

Meu irmão, que quase caiu para trás com o custo, hoje diz que foi o melhor investimento que fez na casa. A cortina não só “vestiu” a sala, como a tornou funcional, controlando a luz e o calor, e incrivelmente aconchegante. E eu aprendi que, por mais apavorante que um desafio de decoração possa parecer, a recompensa de vê-lo concluído é sempre proporcional à sua escala. E, nesse caso, a recompensa foi monumental.

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